Cronicas

                                                                 HOMENAGEM MERECIDA

CMG João da Cruz Sangueve

Mentir aos mortos é mentir a nós mesmos. Não queremos mentir a ninguém mas sim, render homenagem póstuma a dois compatriotas que fizeram parte de um grupo vindo do planalto central. Confessamos que deixaram – nos saudades. Nos primeiros dias, deitamos lágrimas. Lágrimas parecidas àquelas lançadas no dia 28 de Agosto de 1976, naquela noite de cacimbo no Huambo, à volta de uma fogueira orientada pelo saudoso LIBATA. Às 22h00, daquela noite, rasgava os céus do Huambo, uma espécie de pirilampo. Era afinal o avião cargueiro que levaria á Luanda o G – 21. Era o início de uma viagem para um mundo desconhecido mas, com o objectivo de fazer parte da Marinha de Guerra Popular de Angola. Fizeram parte deste Grupo de vinte e um jovens, os actuais oficiais Almirantes e Superiores no activo, alguns desmobilizados e outros falecidos:

V/Alm – Jorge Correia da Silva – DPCE; V/Alm – Jorge Fortes Gabriel – DEP; V/Alm – Valentim Alberto António – RNN;- CMG – Carlos Firmino – RNS; CMG – João da Cruz Sangueve – RNS; CMG – –Amilcar Vasco Kumandala – MINDEN; CMG – Eduardo Henriques da Silva – MAC; CMG – Carlos Maurício Pedro – DAT; Coronel – Arlindo – FAN; –Leonel de Sousa Nóbrega – Desmobilizado; — Óscar – Desmobilizado; — Joaquim Gouveia – P.Nacional; —- Sabino Inaculo – Desmobilizado; ——José Manuel (Guimarães) – Desmobilizado; —- Inácio – Falecido; —–João Monteiro Marques – Falecido; —–Alberto Culiteva – Falecido; —– Sambimbi – TAAG; —-Evaristo Kussita – Falecido; —-CMG – José Gomes de Carvalho – Falecido; —– Armindo Vasco Jair- Falecido; 

Nesta viagem, como é óbvio, alguns ficaram em apeadeiros diferentes. José de Carvalho Gomes, Armindo Vasco Jair ficaram a poucos meses da estação 37º aniversário da Marinha de Guerra Angolana/2013.

Na memória, nos fica José de Carvalho Gomes, simples, comunicativo. Na Academia Naval, em Cuba, Mariel, a par das aulas de navegação, marinharia (hága – lo), natação com os coletes salva-vidas a cortejarem os ombros, a vida continuou, lembro – me dele na praia do Mégano, tocando dikanza na orquestra do Maestro – Sr. CMG – Mário José André, naquela música do cantor Santocas (Valódia, Valódia, Valódia tombou em defesa do Povo Angolano…. Oye…Oyé. Angola liberté……).

O Armindo Vasco Jair foi um dos primeiros que furou a quarentena que vivemos sem sairmos da Unidade. Conseguiu! O camarada, sábado, saiu e pernoitou fora. Corajoso eh! Ao vivo, assisti uma Cubana a perguntar – lhe se falava inglês. Sem mais rodeios respondeu que sim. A Cubana disse: oye me hable un poquito! E o Jayr começou: BMW, Toyota, Mercedez Benz, Peugeut, Ferrari. A Cubana atenta e empolgada dizia: Que lindo Hairi! A vida é o pacote de férias que a morte nos oferece. Oh! José de Carvalho Gomes e Armindo Vasco Jair, estamos de sentido, as vossas almas que descansem em paz. Como a morte é o destino de todos, por aqui ficamos, até breve. Os vossos nomes ficarão gravados na galeria dos marinheiros no sentido lato e no inconsciente colectivo de cada um de nós. Aleluia. Hosana nas alturas.

                                                                                   

                                                                                     DOMRIR NO VIÚVA NEGRA

CMG João da Cruz Sangueve        

Alô Luanda! O cantor Puto Português na sua canção disse: Estou a desconfiar que o mundo está acabar! Companheiros, esperem só um bocadinho. Está quase. Na Região Naval Sul, foi a mesmíssima coisa. O paracetamol, para este caso,  chama – se esperar. Os comunicados militares, na década de oitenta, diziam assim: A aviação Sul Africana na composição de 2 Camberras, 3 Buccaneers, 2 Mirages e 2 Helicópteros Puma sobrevoaram  e  bombardearam  as localidades  de  Cuvelai, Cahama, Xangongo, Ondjiva, Naulila e Namacunde  violando assim,  as resoluções das Nações Unidas. O Cunene ficou famoso não só pelos ataques Sul-africanos, mas sobretudo pelo heroísmo do seu povo.

Tornou – se hábito de um tempo para cá, estarmos a buscar nomes bonitos ou nomes que reflectissem o quotidiano para emprestar aos nossos parentes ou elementos de cultura ou ainda do ambiente circundante. Eh! Roque Santeiro, Cala Boca, Tubiacanga, Bate nú, Bairro Iraque, Chechénia. Agora veio à baila Viúva Negra, por causa da novela Viúva Negra. Esta novela vem a propósito das aranhas que engolem os machos que penetram na sua teia para a copulação. Depois do trabalho feito, estes machos morrem porque apanham uma hemorragia forte e a aranha engole os corpos para restabelecer as energias perdidas. Mas acontece que os machos fortes penetram, copulam e saiem incólumes. Darwin dizia que, por uma questão de sobrevivência os fortes engolem os mais fracos. Mas, mais do que isto, deram esse nome de Viúva Negra às viaturas distribuídas aos Capitães – de – Mar – e – Guerra. Mano é, essas viaturas deram que fazer. É que qualquer Navio que escalasse Lobito dizia – se logo, epa é aquele. Nunca se gastou tanto saldo da UNITEL ou da Movicel, aquele da meia-noite, na ponta final do mês de Junho e durante o mês de Julho. Durante o mês de Julho, o Cunene conheceu a mesma fama dos anos oitenta, agora por causa das Viúvas Negras. A saga é a mesma. Olha o Coronel da DPAT/EMG/FAA já está no Cunene. Olha as viaturas têm inscrições PRADO, olha que o pneu não é atrás, é em baixo. È GO. Não, é GA. Dizem que já estão no Cunene. Até dia 10 de Julho, estavam na Região Naval Sul, 14 viaturas. Nos bastidores, desenhava – se a entrega oficial das mesmas, no acto central do 10 de Julho.

Mas não aconteceu. Dia 11 de Julho, por volta das 06h00, houve uma mensagem circular os CMG apresentarem – se à Unidade. Olha que, nem no treino de aviso e recolha, houve tal cumprimento. Ponto final. O Almirante CMDTE da MGA, quando fez –se à Unidade, o firme que se deu até as pombas levantaram vôo em Direcção à Lobinave. Fez a entrega simbólica das Chaves de uma das viaturas ao CMG – Víctor Fortunato de Abreu. O Cmdte da RNS à tardinha complementou a actividade fazendo entrega das restantes viaturas aos respectivos beneficiários.

Faltavam 8 viaturas. Espera avião que não espera. Amanhã! Nada. Por consenso formou – se uma comissão capitaneada por um camarada muito experiente em técnica auto e naval. Magrinho, de cabelo e bigode brancos, habitualmente com as duas pás nos bolsos das calças. Há quatro anos, de visita à Região Naval Sul, S.Excia Almirante Gaspar Santos Rufino perguntava na altura àquele camarada se a Logística não o tem apoiado. O outro companheiro, conhecedor da via Lobito, Lubango, Cunene, com um chapéu de três bicos, alto, grande e valorosos motoristas marcharam dia 17. 07.2013, ao Cunene. Dia 18.07.13, os valorosos combatentes estavam de volta.

Mentir não é bom então. Por isso, falando a verdade, mas só mesmo a verdade, na família de quem vos escreve, o mais rico só teve uma bicicleta  de marca  Raille. Imagine, ter um carro do pacote Cunene (Viúva Negra). Dia 19.07.13, para homenagear essa viatura pernoitou na mesma. Mas querem mais o quê. Chega. De Cabinda ao Cunene um só Povo uma só Nação. Então! Puto Luanda não desconfie mais que o mundo vai acabar, está a vir do Cunene. Paciência Papoide!

.JOÃO DA CRUZ SANGUEVE

 

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